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Instruções de Vasco da Gama
para Pedro Álvares Cabral
Este é a maneira que pareceu a Vasco da Gama que deve ter Pedro Álvares em sua ida, prazendo a Nosso Senhor.
Item, primeiramente ante(s) que daqui parta, fazer mui boa ordenança pera se não perderem uns navios dos outros nesta maneira:
A saber: cada vez que houverem de virar fará o capitão-mor dous fogos e todos lhe responderão com outros dous cada um. E depois de lhe assim responderem todos virarão.
(Na margem esquerda:)Salvo se alguma das naus não sofrer também a vela, como a do capitão, e a força do tempo lhe requerer que a tire.
E assim lhe terá dado de sinal que a um fogo será por seguir, e três por tirar moneta, e quatro por amainar, e nenhum não virará, nem amainará, nem tirará moneta, sem que primeiro o capitão-mor faça os ditos fogos e todos tenham respondido.
E depois que assim forem amainados não guindará nenhum, senão depois que o capitão-mor fizer três fogos e todos responderem.
E minguando algum não guindarão, somente andarão amainados até que venha o dia, porque não poderão tanto rolar as naus, que no dia se não vejam.
E por desaparelhar fará qualquer que for desaparelhado muitos fogos, por tal que os outros navios vão a ele.
(Na margem direita do documento:)Se os navios partindo desta cidade antes(s) de atravessarem as Canárias os tomar tempo com que hajam de tornar farão todo o possível por todos tornar(em) a esta cidade e se algum a não puder haver trabalhará quanto puder de tomar Setúbal e donde quer que se achar fará logo aqui saber onde é, pera lhe ser mandado o que faça.
Item, depois que em boa hora daqui partirem, farão seu caminho direito à ilha de Santiago.
(Na margem esquerda:) se tornarão ante(s) a ilha de São Nicolau, no caso desta necessidade, pela doença da ilha de Santiago.
E se ao tempo que aí chegarem tiverem água em abastança pera quatro meses não devem pousar na dita ilha, nem fazer nenhuma demora, somente enquanto lhe o tempo servir.
(Na margem esquerda os três períodos seguintes:) Se estes navios partindo desta costa se perderem uns dos outros com tempo, que uns corram a um porto e outros a outro, a maneira pera se ajuntarem.
E não lho fazendo de noite os ditos sinais algum dos navios nem no vendo pela manhã vos fareis com todos os outros vosso caminho direitamente a aguada de São Brás.
E ali enquanto tomardes água vos poderá o dito navio encalçar e não vos encalçando partireis como fordes prestes e deixar-lhe-eis aí tais sinais per que saiba quando ali chegar que sois passado e vos siga.
(Com vento) À popa fazerem seu caminho pelo sul. E se houverem de guinar seja sobre a banda do sudoeste. E tanto que neles der o vento escasso devem ir na volta do mar até meterem o cabo de Boa Esperança em leste franco. E daí em diante navegarem segundo lhe servir o tempo e mais ganharem, porque como forem na dita paragem não lhe minguará tempo com ajuda de Nosso Senhor com que cobrem o dito cabo.
E per esta maneira lhe parece que a navegação será mais breve e os navios mais seguros do busano e isso mesmo os mantimentos se têm melhor e a gente irá mais sã.
E se for caso, que Nosso Senhor não queira, que algum destes navios se perca do capitão deve-se de ter de ló, quanto puder, por haver o cabo e ir-se à aguada de São Brás.
E se for aí primeiro que o capitão devese de amarrar mui bem e esperá-lo, porque é necessário que o capitão-mor vá aí pera tomar sua água, pera que daí em diante não tenha que fazer com a terra, mas arredar-se dela até Moçambique, por saúde da gente e não ter nela que fazer.
E se for caso que o capitão-mor venha primeiro a esta aguada, que o tal navio ou navios que se dele perder (o texto termina aqui).
(Na margem esquerda:) Lembre que se deve dar marcas donde se façam os caminhos pera os navios que se assim perderem e que isto se fará com mui boa prática de todolos pilotos.
Disponível no acervo digital da Biblioteca Nacional de Lisboa:
hhttp://bnd.bn.pt/ed/viagens/brasil/obras/instruccoes/index.html
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