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Snõr
posto queo capitam moor desta vossa frota e asy os
outros capitaães screpuam avossa alteza anoua do acha
mento desta vossa terra noua que se ora neesta naue
gaçam achou. nom leixarey tam bem de dar disso
minha comta avossa alteza asy como eu milhor
poder ajmda que perao bem contar e falar o saiba
pior que todos fazer. / pero tome vossa alteza minha
jnoramçia por boa vomtade. aqual bem çerto crea q[ue]
por afremosentar nem afear aja aquy de poer ma
is caaquilo que vy e me pareçeo. / da marinha
jem e simgraduras do caminho nõ darey aquy cõ
ta a vossa alteza por queo nom saberey fazer e os
pilotos deuem teer ese cuidado e por tanto Snõr
do que ey de falar começo e diguo. /
que apartida de belem como vossa alteza sabe foy segª
feira ix demarço. e sabado xiij do dito mes amtre
as biij e ix oras nos achamos amtre as canareas
mais perto da gram canarea e aly amdamos todo
aquele dia em calma avista delas obra de tres ou
quatro legoas. e domingo xxij do dito mes aas
x oras pouco mais ou menos ouuemos vista dasjlhas
do cabo verde. s. dajlha de sã njcolaao seg.º dito de pº
escolar piloto. e anoute segujmte aasegda feira lhe
amanheceo se perdeo da frota vaasco datayde com
a sua naao sem hy auer tempo forte ne[m] contrairo
pera poder seer. fez ocapitam suas deligençias perao
achar ahu[m]as e a outras partes e nom pareçeo majs
Easy segujmos nosso caminho per este mar delomgo
ataa terça feira doitauas de pascoa que foram xxj
dias dabril que topamos alguu[n]s synaaes de tera
seemdo da dita jlha segº os pilotos deziam obra de
bje lx lxx legoas. os quaaes herã mujta cam
tidade deruas compridas aque os mareantes
chamã botelho e asy outras aque tam bem chamã
rrabo dasno. / E aaquarta feira segujmte pola ma
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nhãa topamos aves aque chamã fura buchos e
neeste dia aoras de bespera ouuemos vjsta de tera .s.
premeiramente dhuu[m] gramde monte muy alto. e
rredondo e doutras serras mais baixas ao sul dele
e de trra chaã com grandes aruoredos. ao qual
monte alto ocapitam pos nome omonte pascoal
E aatera atera davera cruz. mandou lamçar op
rumo acharam xxb braças e ao sol posto obra de bj
legoas de tera surgimos amcoras em xix braças
amcorajem limpa. aly jouuemos todaaquela nou
te. e aaquimta feira pola manhaã fezemos vella
e segujmos dirtos aaterra eos naujos pequenos diã
te himdo per xbij xbj xb xiiij xiij xij x.
e ix braças ataa mea legoa de trra omde todos
lancamos amcoras em dirto daboca dhuu[m] rrio
e chegariamos aesta amcorajem aas x oras pouco
mais ou menos e daly oouemos vista dhomee[n]s q[ue]
andauam pela praya obra de bij ou biij segº os
naujos pequenos diseram por chegarem primeiro... /
aly lancamos os batees e esquifes fora evieram
logo todolos capitaães das naaos aesta naao do
capitam moor e aly falaram. e ocapitam man
dou no batel em trra njcolaao coelho peraveer aq[ue]le
rrio e tamto que ele comecou perala dhir acodirã
pela praya homee[n]s quando dous quando tres
de maneira que quando obatel chegou aaboca
do rrio heram aly xbiij ou xx homee[n]s pardos
todos nuus sem nhuu[m]a cousa que lhes cobrisse suas
vergonhas. traziam arcos nas maãs esuas see
tas. vijnham todos rrijos perao batel e nicolaao co
elho lhes fez sinal que posesem os arcos. e eles os
poseram. aly nom pode deles auer fala ne[m] ente[n]
dimento que aproueitasse polo mar quebrar na
costa. soomente deulhes huu[m] barete vermelho e
huu[m]a carapuça de linho que leuaua na cabeça
e huu[m] sombreiro preto. E huu[m] deles lhe deu huu
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huu[m] sombreiro de penas daues compridas cõ huu[m]a
copezinha pequena de penas vermelhas epardas coma
de papagayo e outro lhe deu huu[m] rramal grande
de comtinhas brancas meudas que querem pareçer
daljaueira as quaaes peças creo queo capitam
manda avossa alteza e com jsto se volueo aas naaos
por seer tarde e nom poder deles auer mais fala por
aazo do mar. /
anoute segujmte ventou tamto sueste cõ chuuaçeiros
que fez caçar as naaos e especialmente acapita
na. Eaa sesta pola manhaã as biij oras pouco ma
is ou menos per conselho dos pilotos mandou oca
pitam leuamtar amcoras e fazer vela e fomos de
lomgo dacosta com os batees e esquifes amarados
perpopa comtra onorte peraveer se achauamos al
guu[m]a abrigada e boo pouso omde jouuesemos pera
tomar agoa e lenha, nom por nos ja mjnguar mas
por nos acertarmos aquy e quamdo fezemos vela
seriam ja na praya asentados jumto cõ orrio, obrra
de lx ou lxx homee[n]s que se jumtaram aly poucos
epoucos / fomos de lomgo e mandou ocapitam aos
nauios pequenos que fosem mais chegados aatrra
e que se achasem pouso seguro peraas naaos que
amaynassem. Eseendo nos pela costa obra de x
legoas domde nos leuamtamos acharam os ditos
nauios peq[ue]nos huu[m] arrecife com huu[m] porto dentro
muito boo e muito seguro com huu[m]a muy larga
entrada e meteramse dentro e amaynaram.
e as naaos arribaram sobreles. e huu[m] pouco amte
sol posto amaynarom obra dhuu[m]a legoa do arrecife
e ancoraramse em xj braças. / Eseendo aº lopez
nosso piloto em huu[m] daqueles naujos pequenos per
mandado do capitam por seer home[m] vyuo e dee
stro pera jsso meteose loguo no esquife asomdar
oporto demtro e tomou em huu[m]a almaadia dous
daqueles homee[n]s da trra mançebos e de boos cor
pos. e huu[m] deles trazia huu[m] arco e bj ou bij seetas
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e na praya amdauam mujtos cõ seus arcos e seetas
e nom lhe aproueitaram. / trouueos logo ja de noute
ao capitam omde foram rrecebidos com muito pra
zer e festa. /
afeiçam deles he seerem pardos maneira dauerme
lhados de boõs rrostros e boos narizes bem feitos. / am
dam nuus sem nenhuu[m]a cubertura. nem estimam n
huu[m]a coussa cobrir nem mostrar suas vergonhas. e
estam açerqua disso com tamta jnocemçia como
teem em mostrar orrostro. / traziam ambos os beiços
de baixo furados e metidos por eles senhos osos
doso bramcos de compridam dhuu[m]a maão travessa
e de grossura dhuu[m] fuso dalgodam e agudo na põta
coma furador. mete[m] nos pela parte de dentro do bei
ço e oque lhe fica antre obeiço eos demtes he feito
coma rroque denxadrez. e em tal maneira o trazem
aly emcaxado que lhes nom da paixã nem lhes tor
ua afala nem comer nem beber. / os cabelos seus
sam coredios e andauã trosqujados de trosquya
alta mais que de sobre pemtem deboa gramdura
e rrapados ataa per cjma das orelhas. e huu[m] deles
trazia per baixo da solapa de fonte afonte pera detras
huu[m]a maneira de cabeleira de penas daue ama
rela que seria decompridam dhuu[m] couto. muy
basta e muy çarada que lhe cobria otoutuço eas ore
lhas. aqual amdaua pegada nos cabelos pena e
pena com huu[m]a comfeiçam branda coma cera e
nõ no era. demaneira que amdaua acabeleira
muy rredomda e muy basta e muy jgual que nõ
fazia mjngoa mais lauajem peraa leuantar. / oca-
pitam quando eles vieram estaua asentado em
huu[m]a cadeira e huu[m]a alcatifa aos pees por estrado
e bem vestido cõ huu[m] colar douro muy grande ao
pescoço. e sancho de toar e simam de miranda enj
colaao coelho e aires corea e nos outros que aquy
na naao cõ ele himos asentados no chaão
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per esa alcatifa. / acemderam tochas e emtraram e nõ
fezeram nhuu[m]a mençam de cortesia nem de falar
ao capitam nem anjmguem. pero huu[m] deles pos olho no
colar do capitam e começou daçenar cõ amaão pera
aterra e depois perao colar como que nos dezia que
avia em tera ouro e tam bem vio huu[m] castical de
prata e asy meesmo acenaua peraa tera e entã perao
castical como que avia tam bem prata. / mostrarã
lhes huu[m] papagayo pardo que aquy ocapitam traz. /
tomarãno logo na maão e acenaram peraa trra
como que os avia hy. / mostraranlhes huu[m] carn.ro
nõ fezeram dele mençam. mostraranlhes huu[m]a g.ª
casy aviam medo dela e nõ lhe queriam poer a
maão edespois atomaram coma espamtados. / de
ranlhes aly de comer pam e pescado cozido. confej
tos fartees mel e figos pasados. nõ quiseram comer
daquilo casy nada e alguu[m]a coussa se aprouauam
lamçauãna logo fora, trouueranlhes vinho perhu[m]a
taça. poseranlhe asy aboca tã malaues e nõ gostarã
dele nada nem oquiseram mais / trouueramlhes
agoa perhuu[m]a albarada tomaram dela senhos
bocados e nõ beberam. soomte lauarã as bocas elam
çaram fora. Vio huu[m] deles huu[m]as contas de rrosairo
brancas. açenou que lhas desem e folgou muito com
elas e lancouas ao pescoço e despois tirouas e enb
rulhouas no braço e acenaua peraa trra e entã peraas
contas eperao colar do capitam como que dariam
ouro por aquilo. / Isto tomauamonos asy polo de
sejarmos / mas se ele queria dizer que leuaria
as contas e mais ocolar. jsto nom querjamonos
emtender porque lho nõ aviamos de dar edespo
is tornou as contas aquem lhas deu e entã estira
ranse asy decostas naalcatifa adormjr sem teer
nenhuu[m]a maneira de cobrirem suas vergonhas as quaaes
nõ herã fanadas e as cabeleiras delas bem rrapa
das e feitas. / ocapitã lhes mandou poer aas cabeças
senhos coxijs e odacabeleira procuraua assaz polla
nõ quebrar e lançarãlhes huu[m] manto e[m] cjma e eles cõ
sentiram e jouueram e dormjram. / ./
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ao sabado pola manhaã mandou ocapitã fazer vella
e fomos demandar aemtrada aqual era muy lar
gua e alta de bj bij braças e entraram todalas
naaos demtro e amcoraramse em b bj braças / a
qual amcorajem dentro he tam grande e tã fre
mossa e tam segura que podem jazer dentro neela
mais de ije navjos e naaos. e tamto que as naaos
foram pousadas e amcoradas vieram os capitaães
todos aesta naao do capitam moor edaquy mandou
ocapitã a njcolaao coelho ebertolameu dijz que fo
sem em terra eleuasem aqueles dous homee[n]s eos lei
xasem hir com seu arco e seetas, aos quaaes mãdou
dar senhas camisas nouas e senhas carapuças ver
melhas e dous rrosairos de contas brancas doso que
eles leuauam nos braços e senhos cascauees e senhas
campainhas. e mandou cõ eles pera ficar la huu[m]
mançebo degradado criado de dom joham teelo aq[ue]
chamã aº rribeiro pera amdar la com eles e saber
de seu vjuer e maneira e amy[m] mandou que fose
cõ nicolaao coelho. / fomos asy de frecha djrtos aa
praya / aly acodiram logo obra de ije homee[n]s todos
nuus ecõ arcos e seetas nas maãos. / aqueles que
nos leuauamos acenaramlhes que se afastasem
e posesem os arcos e eles os poseram e nom se afasta
uam muito. / abasta que poseram seus arcos e em
tam sairam os que nos leuauamos e o mançebo
degradado cõ eles. os quaaes asy como sairã nom
pararam mais nem esperaua huu[m] por outro se nõ
aquem mais coreria epasarã huu[m] rrio que perhy
core dagoa doce de mujta agoa que lhes daua pe
la braga e outros mujtos cõeles e foram asy core[n]do
aalem do rrio antre huu[m]as moutas depalmas
onde estauam outros e aly pararom e naquillo
foy o degradado com huu[m] home[m] que logo ao sair
do batel ho agasalhou e leuouo ataa la e logo ho
tornaram a nos e com ele vieram os outros que
nos leuamos os quaaes vijnham ja nuus e sem
carapuças. Eentam se começaram dechegar mujtos
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e emtrauam pela beira do mar pera os batees ataa
que mais nom podiam e traziam cabaacos dagoa
e tomauã alguu[n]s barijs que nos leuauamos e em
chianos dagoa e trazianos aos batees. nõ que eles
de todo chegasem abordo do batel. mas junto cõ ele
lançauãno damaão e nos tomauamolos epe
diam que lhes desem alguu[m]a coussa. / leuaua nj
colaao coelho cascauees e manjlhas e huu[n]s daua
huu[m] cascauel e aoutros huu[m]a manjlha. demanra
que com aquela emcarna casy nos queriam dar
amaão. Dauãnos daqueles arcos e seetas por son
breiros e carapuças de ljnho e por qualq[ue]r coussa
que lhes home[m] queriã dar. / daly se partirã os
outros dous mançebos que nom os vimos mais. /
amdauam aly mujtos deles ou casy amaior parte.
que todos traziam aqueles bicos doso nos beiços e
alguu[n]s que amdauam sem eles traziam os beiços
furados e nos buracos traziam huu[n]s espelhos de
paao que pareçiam espelhos de boracha e alguu[n]s
deles traziam tres daqueles bicos .s. huu[m] na me
tade eos dous nos cabos. e amdauam hy outrros
quartejados de cores .s. deles ameetade dasua pro
pria cor e ameetade de timtura negra maneira
dazulada e outros quartejados descaques. / aly am
dauam antreles tres ou quatro moças bem moças
e bem jentijs com cabelos mujto pretos conprjdos
pelas espadoas e suas vergonhas tam altas e tã
çaradinhas e tam limpas das cabeleiras que de
as nos mujto bem olharmos nõ tijnhamos nhuu[m]a
vergonha. / aly por emtam nom ouue mais fala ne[m]
emtendimento cõ eles por aberberja deles seer ta
manha que se nom emtendia nem ouuja njnge[m]. /
açenamoslhe que se fosem e asy o fezeram e pasa
ranse aalem do rrio e sairã tres ou quatro homee[n]s
nosos dos batees e emcherã nõ sey quantos barrijs
dagoa que nos leuauamos e tornamonos aas naaos. /
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e em nos asy vijndo acenarãnos que tornasemos. /
tornamos e eles mandarom odegradado e nom
quiseram que ficasse la cõ eles ./ oqual leuaua huu[m]a
bacia pequena e duas ou tres carapuças verme
lhas pera dar la ao Sor seo hy ouuese. / nõ curarã
de lhes tomar nada e asy omandaram com tudo
e entam bertolameu dijz ofez outra vez tornar
que lhes dese aquilo. e ele tornou edeu aquilo
e[m] vista de nos aaquele queo da prima agasalhou
e entam veosse e trouuemolo. / este queo agasalhou
era ja de dias e amdaua todo por louçaynha
cheo depenas pegadas pelo corpo que pareçia a
seetado coma sam sabastiam. outros traziã cara
puças depenas amarelas eoutros de vermelhas eoutros de
verdes. e huu[m]a daquelas moças era toda timta
defumdo acjma daquela timtura aqual çerto
era tã bem feita e tam rredomda e sua vergonha
que ela nõ tijnha tam graçiossa que amujtas
molheres de nossa trra vendolhe taaes feições fe
zera vergonha por nom teerem asua comeela. / nhuu[m]
deles nõ era fanado mas todos asy coma nos
e com isto nos tornamos e eles foramsse//
aatarde sayo ocapitã moor e[m] seu batel cõ todos
nos outros e com os outros capitaães das naaos em
seus batees afolgar pela baya acaram dapraya
mas njmguem sayo em tera polo capitã nom
querer sem embargo de njmguem neela estar. /
soomente sayo ele com todos em huu[m] jlheeo
grande que na baya esta que de baixamar fica
muy vazio pero he detodas partes cercado dagoa
que nõ pode njmguem hir aele sem barco ou
anado. / aly folgou ele e todos nos outros bem hu[m]a
ora e mª e pescaram hy amdando marinheiros
cõ huu[m] chimchorro e mataram pescado meudo
nõ mujto. e entã voluemonos aas naaos ja be[m] noute. /
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ao domingo de pascoela pola manhaã detremj
nou ocapitam dhir ouuir misa e preegaçam na
quele jlheeo. e mandou atodolos capitaães que se
corejesem nos batees e fosem cõ ele e asy foy feito. /
mandou naquele jlheeo armar huu[m] esperauel
e dentro neele aleuantar altar muy bem core
gido e aly com todos nos outros fez dizer misa
aqual dise o padre frey amrique em voz entoa
da e oficiada cõ aquela meesma voz pelos outros
padres e sacerdotes que aly todos heram. / aqual
misa segº meu pareçer foy ouujda per todos cõ
mujto prazer e deuaçom. aly era com ocapitam
abandeira de xpos com que sayo debelem a
qual esteue senpre alta aaparte do auamjelho. /
acabada amisa desuestiosse o padre eposese em
huu[m]a cadeira alta e nos todos lamcados per esa
area e preegou huu[m]a solene e proueitossa preega
çom da estorea do auanjelho. e em fim dela tra
utou de nossa vijnda e do achamento desta trra cõ
formandose cõ o sinal da cruz so cuja obediençia
vijmos aqual veo mujto apreposito efez mujta
deuaçom.
em quanto esteuemos aamisa e aapregacom
seriã na praya outª tanta gente pouco mais
ou menos como os domtem cõ seus arcos e seetas
os quaaes amdauam folgando e olhandonos
e asentaramse. e despois dacabada amisa asee[m]
tados nos aapregaçom aleuantaranse mujtos
deles e tanjeram corno ou vozina e comecaram
asaltar e dançar huu[m] pedaço. e alguu[n]s deles
se metiam em almaadias duas ou tres que hy
tijnham as quaaes nõ sam feitas como as que
eu ja vy. soomte sam tres traues atadas jumtas
e aly se metiam iiij ou b ou eses que queriam
nõ se afastando casy nada datrra se nõ quanto
podiam tomar pee. / acabada apregacõ moueo
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ocapitã e todos peraos batees cõ nosa bandra
alta e enbarcamos e fomos asy todos contra a trra
perapasarmos ao longo per ondeles estauam hj
ndo bertolameu dijz em seu esquife per mãdado
do capitam diamte cõ huu[m] paao dhuu[m]a almaa
dia que lhes o mar leuara pera lho dar e nos
todos obra de tiro depedra tras dele. como eles
viram ho esquife debertolameu dijz chegarãse
logo todos aagoa metendose neela ataa onde
mais podiam. acenaranlhes que posesem os
arcos e mujtos deles os hiam logo poer e[m] trra
e outros os nõ punham. amdaua hy huu[m] que
falaua mujto aos outros que se afastasem mas
nõ ja que mamy[m] parecese que lhe tijnham
acatame[n]to ne[m] medo / este que os asy amdaua
afastando trazia seu arco e seetas e amdaua tj
mto de timtura vermelha pelos peitos e espadoas
e pelos quadrijs coxas e pernas ataa baixo.
eos vazios com abarriga e estamego era da
sua propia cor e a timtura era asy vermelha
que aagoa lha nã comya nem desfazia / ante
quando saya daagoa era mais vermelho. / sayo
huu[m] home[m] do esquife de bertolameu dijz. e
andaua antreles sem eles emtenderem nada
neele quanta pera lhe fazerem mal. se nõ quã
to lhe dauam cabaaços dagoa e acenavã aos
do esquife que saisem em trra. cõ jsto se volueo
bertolameu dijz ao capitam e viemonos aas
naaos acomer tanjendo tronbetas e gaitas
sem lhes dar mais apresam e eles tornaramse
aasentar na praya Easy por entam ficarã. /
neeste jlheo omde fomos ouujr misa epreegaçã
espraya muito aagoa e descobre mujta area
e mujto cascalhaao. forã alguu[n]s em nos hy estã
do buscar marisco e nõ no acharom. e acharã
alguu[n]s camaroões grosos e curtos. / amtre
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os quaaes. vijnha huu[m] mujto grande camarã
e muito grosso que em nhuu[m] tempo ovy tama
nho. tam bem acharom cascas de bergoões e da
meijeas mas nõ toparã cõ nhuu[m]a peça jntra
e tamto que comemos vieram logo todolos capi
taães aesta naao per mandado do capitã moor
com os quaaes se ele apartou e eu na conpanhia
e preguntou asy atodos se nos pareçia seer bem
mandar anoua do achamento desta trra avosa
alteza pelo naujo dos mantijmtos peraa mjlhor
mãdar descobrjr e saber dela mais do que agora
nos podiamos saber por hirmos denosa viajem
e antre mujtas falas que no caso se fezeram
foy per todos ou amayor parte dito que seria
mujto bem. e njsto comcrudiram. / e tamto
q[ue] aconcrusam foy tomada. pregumtou
mais se seria boo tomar aquy per força huu[m] par
destes homee[n]s. peraos mandar avosa alteza. e
leixar aquy por eles outros dous destes degra
dados. / aesto acordaram que nõ era necesa
reo tomar per força homee[n]s. por que jeeral
costume era dos que asy leuauom per força
peraalgu[m]a parte dizerem que ha hy todo oque
lhe preguntam. / e que mjlhor e mujto mjlhor
enformaçon da trra dariam dous homee[n]s
destes degradados que aquy leixassem. doque
eles dariam seos leuasem por seer jente que
njmguem emtende nem eles tam cedo apre[n]
deriam afalar perao sabere[m] tam bem dizer que
mujto mjlhor ho estoutros nom digam quando
ca vosa alteza mandar. e que por tamto nom
curasem aquy deper força tomar njmguem
nem fazer escandolo peraos detodo mais amã
sar e apaceficar. / se nom soomte leixar aquy os
dous degradados quando daquy partisemos. / easy
por mjlhor pareçer atodos ficou detremjnado /./
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acabado jsto. dise ocapitam que fosemos nos ba
tees em trra e veersia bem o rrio quejando era.
e tam bem pera folgarmos. / fomos todos nos
batees em tera armados e abandeira cõ nosco. /
eles amdauam aly na praya aaboca do rrio
omde nos hiamos e ante que chegasemos. / do
emsino que dantes tijnham poseram todos
os arcos e acenavam que saisemos e tanto
que os batees poserã as proas em trra pasarãse
logo todos aalem do rrio oqual nõ he mais an
cho que huu[m] jogo demanqual e tanto que
desenbarcamos. alguu[n]s dos nosos pasarom
logo o rrio e foram antrelles. / e alguu[n]s agua
rdauam e outros se afastauam. pero era acousa
demaneira que todos amdauam mesturados. /
eles dauam deses arcos com suas seetas por
sombreiros e carapuças de linho e por quall
quer cousa que lhes dauam. / pasaram aalem
tamtos dos nosos e amdauam asy mestura
dos cõ eles. que eles se esqujuauam e afasta
uanse e hianse deles peracjma onde outros
estauam e entã ocapitam fezese tomar ao
colo de dous homee[n]s e pasou o rrio e fez tornar
todos. / ajente que aly era nõ serja mais
caaquela que soya. / e tanto queo capitã
fez tornar todos vieram alguu[n]s deles aele
nõ polo conhecere[m] por S.or ca me pareçe que
nõ entendem ne[m] tomauã djsso c.to mas
por que ajente nossa pasava ja peraaquem do
rrio. / aly falauã e traziam mujtos arcos e
contjnhas daquelas ja ditas e rresgatauã
por qualquer cousa. em tal maneira que tro
uueram daly peraas naaos mujtos arcos e see
tas e comtas e entam tornouse ocapitam
aaquem do rrio e logo acodirã mujtos aabeira dele
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aly verjees galantes pimtados depreto everme
lho e quartejados asy pelos corpos como pelas
pernas. que çerto pareciam asy bem. / tanbem
andauam antreles iiij ou b molheres moças
asy nuas que nom pareçiam mal. antre as
quaaes amdaua huu[m]a com huu[m]a coxa
do giolho ataa oquadril e anadega toda tjnta
daquela tintura preta eoal. todo dasua propria
cor. outª trazia anbolos giolhos cõ as cur
uas asy timtas e tam bem os colos dos pees.
e suas vergonhas tam nuas e com tamta jno
çemçia descubertas que nõ avia hy nenhuu[m]a
vergonha. / tam bem andaua hy outª molher
moça com huu[m] menjno ou menjna no colo
atado com huu[m] pano nõ sey deque aos peitos.
que lhe nõ pareçia se nõ as pernjnhas. / mas
as pernas damay eo al nõ trazia nenhuu[m]
pano. / e despois moueo ocapitam peracjma
ao longo do rrio que anda senpre acaram da
praya e aly esperou huu[m] velho que trazia
na maão hu[m]a paa dalmadia. / falou estãdo
ocapitã com ele perante nos todos sem onu[n]ca
njnguem emtender nem ele anos quanta
cousas que lhome[m] pregumtaua douro que nos
desejauamos saber seo avia na trra. / trazia
este velho obeiço tam furado que lhe caberja
pelo furado hu[m] gram dedo polegar e tra
zia metido no furado huu[m]a pedra verde rroim
que çarava per fora aquele buraco e ocapitã
lha fez tirar e ele nõ sey que diaabo falaua
e hia cõ ela peraaboca do capitam peralha meter. /
esteuemos sobriso huu[m] pouco rrijmdo e entam
enfadouse ocapitã e leixouo. e huu[m] dos nosos
deulhe pola pedra huu[m] sonbreiro uelho nõ por
ela valer algu[m]a coussa. mas por mostra. e
despois aouue ocapitam. creo pera cõ as outras cou
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sas amandar avosa alteza. / andamos per hy
veendo a rribeira aqual he de mujta agoa e
mujto boa. / ao longo dela ha mujtas palmas
nõ muito altas em que ha mujto boos palmj
tos. colhemos e comemos deles mujtos. / entã
tornouse ocapitã perabaixo peraaboca do rrio on
de desenbarcamos e aalem do rrio amdauã
mujtos deles damçando e folgando huu[n]s
ante outros sem se tomarem pelas maãos e
faziãno bem /. pasouse emtam aalem do rrio
diego dijz alxe que foy de sacauem que he home[m]
gracioso edeprazer e levou comsigo huu[m] ga
yteiro noso cõ sua gaita e meteose cõ eles
adançar tomandoos pelas maãos e eles folga
uam e rriam e amdauam cõ ele muy bem
ao soõ dagaita. despois de dançarem fezlhe
aly amdando no chaão mujtas voltas lige
iras e salto rreal deque se eles espantauam
e rriam e folgauã mujto. e com quanto os
cõ aquilo muito segurou e afaagou. toma
uam logo huu[m]a esqujueza coma monteses e
foranse pera cjma. Eentã ocapitã pasou orrio
cõ todos nos outros e fomos pela praya delongo
himdo os batees asy acaram de tera e fomos
ataa huu[m]a lagoa grande dagoa doçe que
esta jumto com apraya por que toda aquela
rriba do mar he apaulada percjma e saay
aagoa permujtos lugares e depois depasarmos
orrio foram huu[n]s bij ou biij deles amdar
antre os marinheiros que se rrecolhiã aos ba
tees e leuaram daly huu[m] tubaram que
bertolameu dijz matou e leuaualho e lanço
uo na praya. / abasta que ataaquy como quer
que se eles em alguu[m]a parte amansasem
logo dhu[m]a maão peraaouta se esqujuauam
|
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coma pardaaes deceuadoiro e home[m] nom lhes
ousa de falar rrijo por se mais nom esqujuarem
e todo se pasa como eles querem polos bem a
mansar. / ao velho cõ que ocapitam falou
deu huu[m]a carapuça vermelha e com toda a fala
que cõ ele pasou e com acarapuça que lhe
deu. tanto que se espedio que comecou de
pasar o rrio. foise logo rrecatando. e nõ qujs
mais tornar do rrio peraaquem. / os outros dous
queo capitã teue nas naaos aque deu oque
ja dito he. numca aqui mais pareçeram. de
que tiro seer jente bestial e depouco saber e
por ysso sam asy esqujvos. / eles porem cõ tudo
andam mujto bem curados e mujto limpos
e naquilo me pareçe ajmda mais que sam
coma aves ou alimareas monteses que
lhes faz ho aar mjlhor pena e mjlhor cabelo
que aas mansas. / porque os corpos seus sam
tam limpos e tam gordos e tam fremosos
que nõ pode mais seer. e jsto me faz presumir
que nõ teem casas ne[m] moradas em que se co
lham eo aar aque se criam os faz taaes. / ne[m]
nos ajnda ataagora nom vimos nenhuu[m]as casas
nem maneira delas. / mandou ocapitã aaquele
degradado aº Ribeiro que se fosse outª vez com
eles. oqual se foy e andou la huu[m] boõ pedaço
e aatarde tornouse queo fezerã vijr e nõ
oquiseram la consemtir e derãlhe arcos e seetas
e nõ lhe tomarã nhu[m]a cousa do seu. / ante dise
ele que lhe tomara huu[m] deles huu[m]as continhas
amarelas que ele leuaua e fogia cõ elas e ele
se queixou eos outros foram logo apos ele elhas
tomaram e tornaranlhas adar e emtam mã
darãno vijr. / dise ele que nõ vira la antre
eles se nõ huu[m]as choupanjnhas de rrama verde
e de feeitos mujto grandes coma damtre doiro e
mjnho e asy nos tornamos aas naaos ja casy noute adormjr
|
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aasegda feira depois decomer saimos todos e[m] tra
atomar agoa. / aly vieram emtam mujtos. mas
nõ tamtos comaas outras uezes e traziã ja
muito poucos arcos e esteuerã asy huu[m] pouco
afastados denos. e despois poucos epoucos mestu
raranse cõ nosco. e abracauãnos e folgauam
e alguu[n]s deles se esqujuauam logo. aly da
uam alguu[n]s arcos por folhas depapel epor al
gu[m]a carapucinha velha e por qual q[ue]r cousa
Eem tal maneira se pasou acousa que bem
xx ou xxx pesoas das nosas se forã cõ elles
onde outros mujtos deles estauam com moças
e molheres e trouueram dela muitos arcos
e baretes depenas daues deles verdes e deles
amarelos de que creo queo capitam hade
mãdar amostra a vossa alteza. e segº deziam
eses que la foram folgauam com eles. / ne
este dia os uimos de mais perto e mais aanosa
vontade por andarmos todos casy mesturados
Ealy deles andauam daquelas timturas
quartejados outros de meetades outros detanta
feiçam coma e[m] panos darmar e todos com os
beiços furados e mujtos cõ os osos neeles e deles
sem osos. / traziã alguu[n]s deles huu[n]s ourjços
verdes daruores que na cor querjam pa
recer de castinheiros se nõ quanto herã mais
e mais pequenos e aqueles herã cheos dhuu[n]s
graãos vermelhos pequenos. que esmagandoos
antre os dedos fazia timtura muito vermelha
daque eles amdauam timtos e quanto se ma
is molhavã tanto mais vermelhos ficauam. /
todos andam rrapados ataacjma das orelhas.
e asy as sobrancelhas e pestanas. / trazem todos
as testas de fonte afomte timtas datimtura
preta que pareçe huu[m]a fita preta ancha de
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dous dedos. Eo capitã mandou aaquele degra
dado aº rribeiro e aoutros dous degradados que
fosem amdar la antreles e asy adº dijz por
seer home[m] ledo com que eles folgauam. e
aos degradados mandou que ficasem la
esta noute. / Foramse la todos e andaram
antreles e segº eles deziam foram bem huu[m]a
legoa e meia ahuu[m]a pouoraçom de casas em
que averja ix ou x casas as quaaes deziã
q[ue] erã tam conpridas cada hu[m]a comeesta naao
capitana. e herã de madeira e das jlhargas
de tauoas e cubertas de palha de rrazoada al
tura e todas em huu[m]a soo casa sem nhuu[m] rrepar
timento tijnham de dentro mujtos esteos e de
steo aesteo huu[m]a rrede atada pelos cabos e[m] ca
da esteo altas em que dormjam e debaixo pera
se aquentarem faziam seus fogos e tijnha ca
da casa duas portas pequenas huu[m]a e[m] huu[m]
cabo e outª no outro. e deziam que em cada
casa se colhiam xxx ou X pesoas e que asy
os achauam e que lhes dauam de comer da
quela vianda que eles tijnham .s. mujto j
nhame eoutras sementes que na trra ha q[ue]
eles comem. e como foy tarde fezerãnos logo
todos tornar e nom quiseram que la ficasse
nhuu[m] e ajnda segº eles deziam queriãse vijr
cõ eles. / rresgataram la por cascauees e por
outas cousinhas depouco ualor q[ue] leuauã pa
pagayos vermelhos mujto grandes e fremo
sos. e dous verdes pequenjnos e carapuças
de penas verdes e huu[m] pano de penas de mujtas
cores maneira de teçido asaz fremoso segº
vosa alteza todas estas cousas vera por que oca
pitã volas ha de mandar segº ele dise. e
com jsto vieram. e nos tornamonos aas naaos. /./
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aaterça feira depois decomer fomos e[m] trra dar
guarda delenha e lauar rroupa. / estauam
na praya quando chegamos obra de lx ou
lxx sem arcos e sem nada. / tamto que che
gamos vieramse logo peranos sem se esqj
uarem. / e depois acodiram mujtos que se
riam bem ije todos sem arcos. / e mestura
ramse todos tanto com nosco que nos aju
dauam deles aacaretar lenha e meter nos
batees e lujtauam cõ os nosos e tomauam
mujto prazer. / Eem quanto faziamos
alenha. faziam dous carpenteiros huu[m]a
grande cruz dhuu[m] paao que se omtem pera
ysso cortou. / mujtos deles vijnham aly estar
cõ os carpenteiros e creo queo faziã mais por
veerem afaramenta de ferro com q[ue] afaziã
q[ue] por veerem acruz por que eles nõ teem
cousa que de fero seja e cortam sua madra
e paaos com pedras feitas coma cunhas me
tidas em huu[m] paao antre duas talas muy
bem atadas e per tal maneira que andam
fortes segº os homee[n]s que omtem asuas
casas deziam por que lhas viram la. / era
ja aconuersaçam deles com nosco tanta
que casy nos toruauam ao que aviamos
defazer. / Eo capitã mandou adous degra
dados e adº dijz que fosem la aaldea e a
outras se ouuesem delas nouas e q[ue] e[m] toda
maneira nõ se viesem adormjr aas naos
ajnda que os eles mandasem e asy se forã. /
em quanto andauamos neesa mata acor
tar alenha atrauesauam alguu[n]s papa
gayos per esas aruores deles verdes e ou
tros pardos grandes e pequenos dema
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neira que me pareçe que avera neesta trra
mujtos pero eu nom veria mais que ataa ix
ou x. outras aues entã nom vimos somte
alguu[m]as ponbas seixas e parecerãme ma
yores em boa camtidade caas de portugal.
alguu[n]s deziã que virã rrolas mas eu nõ
as vy mas segº os aruoredos sam muy
mujtos e grandes e djmfimdas maneiras
nõ doujdo que per ese sartaão ajam muj
tas aues. Eaçerqua danoute nos volue
mos peraas naaos com nossa lenha. / eu
creo Sor que nõ dey ajnda aquy conta avosa
alteza da feiçam de seus arcos e seetas. / os
arcos sam pretos e conpridos e as seetas cõ
pridas e os feros delas de canas apara
das segº vosa alteza vera per alguu[n]s que
creo queo capitã aela ha demujar. /
aaquarta feira nõ fomos em trra por que ocapi
tam andou todo o dia no naujo dos mantime[n]tos
adespejalo e fazer leuar aas naaos jsso que ca
dahuu[m]a podia leuar. / eles acodiram aapraya
mujtos segº das naaos vimos que seriam obra de iije
segº sancho detoar que la foy dise. / diego dijz
e aº rribeiro odegradado aque ocapitã omtem
mandou que em toda maneira la dormisem
volueranse ja denoute por eles nom quererem
que la dormisem e trouuerã papagayos verdes
e outas aues pretas casy como pegas se nõ quãto
tijnham obico bramco eos rrabos curtos. e quãdo
se sancho de toar rrecolheo aanaao querianse vijr
cõ ele alguu[n]s mas ele nõ qujs se nõ dous mã
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cebos despostos e homee[n]s deprol. / mandouos esa
noute muy bem pemsar e curar e comeram toda
vianda que lhes deram e mandoulhes fazer cama
de lençooes segº ele disse e dormjram e folgaram
aquela noute e asy nõ foy mais este dia que pera
screpuer seja
aaqujnta feira deradro dabril comemos logo casy
pola manhaã e fomos em trra por mais lenha
e agoa e em querendo ocapitam sair desta naao
chegou sancho detoar com seus dous ospedes epor
ele nõ teer ajnda comjdo poseranlhe toalhas
e veolhe vianda e comeo. / os ospedes asentarãnos
em senhas cadeiras e detodo oque lhes deram come
ram muy bem. especialmente lacam cozido frio
e arroz. nõ lhes deram vº por sancho detoar dizer
queo nõ bebiam bem. / acabado ocomer metemo
nos todos no batel e eles cõ nosco. / deu huu[m] grom
ete ahuu[m] deles huu[m]a armadura grande do porco
montes bem rreuolta e tamto que atomou meteoa
logo no beiço e por que se lho nõ queria teer derã
lhe huu[m]a pequena de cera vermelha e ele corejeo
lhe detras seu aderemço para se teer e meteoa no bei
ço asy rreuolta pera cjma e vijnha tam comtente
com ela como se teuera huu[m]a grande joya. / e
tamto que saymos em trra foise logo cõ ela que
nõ pareçeo hy mais. / andariam na praya quãdo
saymos biij ou x deles e dhi a pouco começaram
de v€jr. e pareçeme que vijnriam este dia aapra
ya iiije ou iiijel. / traziã alguu[n]s deles arcos e
seetas e todolos deram por carapuças e por quall
q[ue]r cousa que lhes dauam. / comiam cõ nosco do q[ue]
lhes dauamos e bebiam alguu[n]s deles vº e outros
o nõ podiam beber mas pareceme que se lho ave
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zarem queo beberam de boa vontade. / andauã todos
tam despostos e tam bem feitos e galamtes cõ suas
timturas que pareciam bem. / acaretauam desa le
nha quamta podiam com muy boas uomtades e le
uãuana aos batees e amdauam ja mais mansos
e seguros antre nos doque nos amdauamos antreles. /
foy ocapitã com alguu[n]s denos huu[m] pedaço per este
aruoredo ataa huu[m]a rribeira grande e de muita agoa
que anoso pareçer era esta meesma que vem teer
aa praya em que nos tomamos agoa. / aly jouuemos
huu[m] pedaço bebendo e folgamdo ao longo dela
antrese aruoredo que he tamto e tamanho e tam ba
sto e de tamtas prumajee[n]s que lhe nõ pode home[m] dar
comto. ha antrele mujtas palmas deque colhemos
mujtos e boos palmjtos. /./ quando saymos dobatel
disse ocapitã que serja boo hirmos dereitos aacruz q[ue]
estaua emcostada ahuu[m]a aruore junto com orrio perase
poer de manhaã que he sesta feira e que nos posese
mos todos em giolhos e abeijasemos pera eles veerem
ho acatame[n]to que lhe tijnhamos. e asy o fezemos. /
Eeses x ou xij que hy estauam acenaramlhes que
fezesem asy e foram logo todos beijala. / pareçeme
jemte de tal jnoçencia que se os home[m] emtendese
e eles anos. que seriam logo xpaãos por que eles
nõ teem nem emtendem em nhuu[m]a creemça
segº pareçe. Epor tamto se os degradados que aqui
am de ficar. aprenderem bem asua fala eos em
tenderem. / nom doujdo segº asanta tençam de
vosa alteza fazeremse xpaãos e creerem na nossa
samta fé. aaqual praza anosso Snõr que os traga. /
por q[ue] çerto esta jente he boa e de boa sijnprezidade
e enpremarsea ligeirame[n]te neeles qualq[eu]r cru
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nho que lhes quiserem dar e logo lhes nosso Sor deu
boos corpos e boos rrostros comaaboos homee[n]s. e ele
que nos per aquy trouue creo que nom foy sem causa
e por tanto Vosa alteza pois tamto deseja acreçentar
na santa fe catolica. deue emtender em sua salua
çam e prazera ads que com pouco trabalho sera asy /
eles nõ lauram nem criam nem ha aquy boy nem
vaca nem cabra nem ovelha nem gª nem outª nhu[m]a
alimarea que custumada seja ao viuer dos homee[n]s
ne[m] come[m] se nõ dese jnhame que aquy ha mujto e
desa semente e frutos que atera e as aruores de sy
lançam. e com jsto andam taaes e tam rrijos e tã
nedeos. queo nõ somosnos tamto com quanto trigo
e legumes comemos. / em quanto aly este dia am
daram senpre ao soõ dhuu[m] tanbory nosso dançarã
e bailharã cõ os nosos. / e[m] maneira que
sam muito mais nosos amj
gos que nos seus. / se lhes home[m] acenaua se queriã
v€jr aas naaos fazianse logo prestes pera jsso e[m] tal
maneira queseos home[m] todos quisera comujdar. /
todos uieram. porem nõ trouuemos esta nou
aas naaos se nõ iiij ou b .s. ocapitã moor dous
e simã de miranda huu[m] que trazia ja por paje
e aires gomez outro asy paje. / os queo capitam
trouue era huu[m] deles huu[m] dos seus ospedes que
aa primeira quando aquy chegamos lhe trouuerã.
oqual veo oje aquy vestido na sua camisa e cõ
ele huu[m] seu jrmão os quaaes forã esta noute
muy bem agasalhados asy de vianda como deca
ma de colchoões e lençooes polos mais amansar. /
Eoje que he sesta feira primeiro dia de mayo pola
manhaã saymos em trra cõ nossa bandeira
e fomos desenbarcar acjma do rrio contra osul
|
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onde nos pareçeo que serja mjlhor chantar a cruz
pera seer milhor vista. e aly asijnou o capitã onde
fezesem acoua peraachantar. Eem quanto aficarã
fazendo. / ele com todos nos outros fomos pola +
abaixo do rrio onde ela estaua. / trouuemola da
ly cõ eses rrelegiosos e sacerdotes diante cantã
do maneira depreçisam. / herã já hy alguu[n]s de
les obra de lxx ou lxxx e quando nos asy virã
vijr / alguu[n]s deles se forã meter debaixo dela
ajudarnos. / pasamolo rrio ao longo dapraya
e fomola poer onde avia de seer que sera do
rrio obra de dous tiros de beesta. / aly andando
nysto vijnjram bem cl ou mais. / chentada
acruz cõ as armas e deuisa de vosa alteza
que lhe primº pregarom armarom altar ao pee
dela. / aly dise misa opadre frey amrique aqual
foy camtada e ofeçiada per eses ja ditos. / aly
esteueram cõ nosco aela obra de l ou lx deles
asentados todos em giolhos asy coma nos e quã
do veo ao avanjelho que nos erguemos todos e[m] pee
cõ as maãos leuantadas. eles se leuantaram
cõ nosco e alçarom as maãos. estando asy ataa
seer acabado. / e entam tornaranse aasentar co
ma nos. E quando leuantarom ad[eu]s que nos
posemos em giolhos. eles se poserã todos asy co
ma nos estauamos cõ as maãos leuantadas.
e em tal maneira asesegados que certefico
avosa alteza que nos fez mujta deuaçom. /
esteuerã asy cõ nosco ataacabada acomunhã
Edepois dacomunham. comungaram eses rre
legiosos e sacerdotes eocapitã cõ alguu[n]s de
nos outros. / alguu[n]s deles por o sol seer grãde
e[m] nos estando comungando aleuantarãsse
|
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e outros esteuerã e ficarom. / huu[m] deles home[m]
de l ou lb anos ficou aly cõ aqueles que fica
ram. / aquele em nos asy estamdo ajumtaua
aqueles que aly ficaram e ajnda chamaua
outros. / este andando asy antreles falando
lhes acenou cõ odedo perao altar e depois mostrou
odedo perao ceeo coma que lhes dizia alguu[m]a
cousa debem e nos asy otomamos. / acabada
amisa tirou o padre a vestimta decjma e ficou
naalua e asy se sobio jumto cõ ho altar em huu[m]a
cadeira e aly nos preegou do auanjelho e dos a
postolos cujo dia oje he trautando e[n]fim
dapreegaçom deste voso prosegujme[n]to
tã santo e vertuoso que nos causou majs de
uaçam. / eses q[ue] aapreegaçã senpre esteueram
estauã asy comanos olhando peraele. / eaq[ue]le
que digo chamaua alguu[n]s que viesem
peraaly. / alguu[n]s vijnhã eoutros hiamse e
acabada apreegaçom. trazia njcolaao coelho
mujtas cruzes destanho com cruçufiços que
lhe ficarom ajnda daoutra vijnda e ouuerã
por bem que lancasem acada huu[m] sua ao pes
coço. / pola qual cousa se asentou opadre frey
anrique ao pee da cruz e aly ahuu[m] ehuu[m]
lançaua sua atada em huu[m] fio ao pescoço fa
zendolha primeiro beijar e aleuantar as ma
ãos. / vijnhã ajsso mujtos e lancarãnas to
das que serjam obra de X ou 1. / e jsto aca
bado era ja bem huu[m]a ora depois de meo dja. /
vjemos aas naos acomer onde ocapitã tro
uue cõsigo aquele meesmo que fez aos outos
aquela mostramça perao altar e perao ceeo e
huu[m] seu jrmaão com elle ao qual fez mujta
|
|
homrra e deulhe huu[m]ma camisa mourisca eao
outro huu[m]a camisa destoutras. / e segº oque
amy[m] e atodos pareçeo. esta jemte nõ lhes faleçe
outª cousa peraseer toda xpaã ca entende
re[m]nos. / por que asy tomauam aquilo que nos
viam fazer coma nos meesmos. per onde pareçeo
atodos que nhuu[m]a jdolatria ne[m] adoraçom teem. /
Ebem creo que se vosa alteza aquy mandar quem
mais antreles de vagar ande. que todos seram
tornados ao desejo de vosa alteza. / e pera jsso se alguem
vjer nõ leixe logo de vijr clerjgo peraos bautizar
por que ja emtã teerã mais conhecime[n]to de
nossa fe pelos dous degradados que aquy ã
treles ficam os quaes ambos oje tam bem co
mungaram. / antre todos estes que oje vierã
nõ veo mais que huu[m]a molher moça aqual
esteue senpre aamisa. aaqual deram huu[m]
pano cõ que se cobrise e poserãlho darredor
desy. / pero ao asentar nõ fazia memorea deo
muito estender perase cobrir. / asy Sor que ajnoce[n]
cia desta jemte he tal que a dadam nõ seria
mays quanta em vergonha. / ora veja vosa al
teza quem em tal jnocemçea vjue. ensinam
dolhes oque perasua saluacom perteeçe. se se cõ
uerteram ou nom. / acabado isto. / fomos asy
perante eles beijar acruz e espedimonos e vj
emos comer. /
creo Snõr que com estes dous degradados que
aquy ficam. / ficam mais dous grometes
que esta noute se sairam desta naao no esquj
fe em trra fogidos. / os quaaes nõ vierã majs
e creemos que ficaram aquy por q[ue] demanhaã
prazendo ads fazemos daquy nosa partida /
|
|
Esta trra Sor me pareçe que dapomta q[ue] mais contª
osul vimos ataa outª pomta que contª onorte
vem de que nos deste porto ouuemos vista. / sera
tamanha que auera neela bem xx ou xxb
legoas per costa. / traz ao lomgo do mar em algu[m]as
partes grandes bareiras delas vermelhas e delas
bramcas e a terra per cima toda chaã e mujto chea
de grandes aruoredos. / depomta apomta he toda
praya parma muito chaã e muito fremosa. /
pelo sartaão nos pareceo do mar muito
grande por que aestender olhos nõ podiamos
veer se nõ tera earuoredos que nos pareçia
muy longa tera. / neela ataagora nõ podemos
saber que aja ouro nem prata nem nhu[m]a cou
sa de metal nem de fero. nem lho vjmos. / pero
atrra em sy he de mujto boos aares asy frios e
etenperados coma os dantre doiro e mjnho por
q[ue] neste tempo dagora asy os achauamos coma os
dela / agoas sam mujtas jmfimdas. E em tal
maneira he graciosa que querendoa aproueitar
darsea neela tudo per bem das agoas que tem. /
pero omjlhor fruito que neela se pode fazer me
pareçe que sera saluar esta jemte e esta deue
seer aprincipal semente que vosa alteza em
ela deue lamçar. Eque hy nõ ouuese ma
is ca teer aquy esta pousada pera esta naue
gaçom de calecut. / abastaria / quanto majs
desposiçã perase neela conprir e fazer oq[ue] vossa
alteza tamto deseja .s. acrecentamto danosa
santa fe /.
E neesta maneira Sor dou aquy avosa alteza
|
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doque neesta vosa trra vy ese aalguu[m] pouco a
lomguey. ela me perdoe. / cao desejo que tij
nha de vos tudo dizer mo fez asy poer pelo
meudo. E pois que Snõr he çerto que asy
neeste careguo que leuo como em outª qual
quer coussa que de vosso seruiço for uosa alteza
ha de seer de my[m] mujto bem seruida. / aela
peço que por me fazer simgular merçee mã
de vijr dajlha de sam thomee jorge dosoiro
meu jenrro. o que dela rreceberey em mujta
merçee. / beijo as maãos de vosa alteza. /
deste porto seguro da vosa jlha de vera cruz oje
sesta feira primº dia demayo de 1500 //
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Carta de Pedro vaz caminha so-
bre o descobrimento da Terra nova
q[ue] fez Pedro Alves. Feita na Ilha de
Vera Cruz em o 1.º de Maio de
1500
Gaveta 8.ª
Maço 2.º-N.º 8
Aqui esta junta huma Copia para
milhor inteligencia deste original
Transcripto do L. 13 da Reforma
dos Documentos das Gavetas a f. 43
|
pd uaaz de camjnha
Carta de pº Vaaz
decaminhadodesco
brime[n]to datrra
noua q[ue] fez pº Alvarez
A El Rey noso Sñor
|
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